Relatório da CPMI do INSS inclui pedido de prisão de Lulinha e indiciamento de mais de 200 pessoas

27/03/2026 às 18:02:42

O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), pediu a prisão preventiva do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em parecer apresentado nesta sexta-feira (27), em Brasília. O pedido integra o relatório final da comissão, que investiga um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e foi motivado por indícios de participação do investigado em crimes como tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção passiva, segundo o documento. 

De acordo com o relatório, o pedido de prisão preventiva se baseia em elementos reunidos ao longo das investigações da CPMI, incluindo quebras de sigilo, depoimentos e documentos analisados. A justificativa do relator também menciona a saída de Lulinha do Brasil para a Espanha como um dos fatores considerados para a solicitação da medida cautelar. 

A comissão investiga um esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. As apurações apontam que o esquema teria causado prejuízo estimado em bilhões de reais e envolvido diversas entidades e operadores financeiros, além de possíveis conexões com agentes públicos e privados. 

O relatório final da CPMI deve pedir o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo políticos, empresários e servidores públicos. Entre os citados, além de Lulinha, estão nomes ligados ao funcionamento do esquema investigado, o que amplia o alcance das conclusões da comissão. 

Segundo as investigações, a inclusão de Lulinha no relatório está relacionada a suspeitas de vínculos com operadores do esquema, como o empresário conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos articuladores das fraudes. As suspeitas envolvem possíveis repasses financeiros e conexões que ainda estão sendo analisadas pelas autoridades. 

Apesar do pedido de prisão e indiciamento, o relatório da CPMI não tem poder de determinar medidas judiciais diretamente. As conclusões do colegiado são encaminhadas ao Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal (STF), que irão avaliar a adoção de eventuais ações penais ou medidas cautelares com base nas provas reunidas.

Fonte: Correio Braziliense