Pais denunciam falta de terapias para crianças autistas em Canindé de São Francisco

06/03/2026 às 19:42:42
Foto: Reprodução

Pais e responsáveis por crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) denunciaram a falta de terapias especializadas no município de Canindé de São Francisco. Segundo relatos das famílias, cerca de 600 crianças atípicas estariam sem atendimento regular desde o ano passado, após mudanças na forma de oferta dos serviços no município. A situação tem gerado mobilização entre os responsáveis, que cobram providências da gestão municipal. 

De acordo com os pais, o problema começou após o fechamento do Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEE), espaço onde as crianças recebiam acompanhamento multidisciplinar. O local reunia profissionais responsáveis por terapias consideradas essenciais para o desenvolvimento das crianças diagnosticadas com autismo. 

Uma das mães que participou das mobilizações relatou que a decisão de encerrar as atividades do centro afetou diretamente o acompanhamento dos pacientes. “A gestão decidiu fechar o CAEE, que era onde as crianças atípicas tinham atendimento”, afirmou. 

Após o fechamento do espaço, os atendimentos foram transferidos para um centro de especialidades instalado no chamado Hospital Novo. Segundo os responsáveis, além da mudança de local, houve redução na frequência e na duração das sessões terapêuticas. Antes, as terapias ocorriam semanalmente e duravam cerca de 40 minutos. Com a alteração no modelo de atendimento, passaram a ocorrer a cada 15 dias e com tempo médio de 30 minutos. 

Os pais também afirmam que, no final do ano passado, muitos atendimentos foram suspensos durante o período de férias, o que agravou ainda mais a situação. Algumas crianças teriam recebido apenas poucas sessões ao longo do ano. Uma mãe relatou que o próprio filho teve apenas duas sessões após a mudança e, em dezembro, realizou apenas uma consulta com duração aproximada de 30 minutos. 

Diante das dificuldades, familiares começaram a se organizar para discutir o problema e compartilhar relatos sobre o impacto da ausência das terapias no comportamento e no desenvolvimento das crianças. O grupo passou a se mobilizar nas redes sociais e decidiu realizar protestos no município para chamar a atenção do poder público para a situação. 

A primeira manifestação ocorreu durante o período de Carnaval e ganhou repercussão nas redes sociais. Após a mobilização, a prefeitura iniciou um processo de rematrícula das crianças e anunciou a reabertura do espaço de atendimento. Mesmo assim, os pais afirmam que a estrutura atual ainda não seria suficiente para atender toda a demanda existente na cidade. 

Segundo relatos das famílias, antes das mudanças o serviço contava com seis profissionais responsáveis pelos atendimentos. Atualmente, apenas três especialistas estariam atuando, número considerado insuficiente para atender cerca de 600 crianças com necessidades terapêuticas no município. O transtorno do espectro autista é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, o comportamento e a interação social, exigindo acompanhamento multidisciplinar para auxiliar no desenvolvimento das crianças.

Fonte: F5 News