Oposição pressiona Erika Hilton a deixar Comissão da Mulher

Deputadas da oposição bolsonarista na Câmara dos Deputados realizaram, nesta quarta-feira (19), uma manifestação pedindo a saída da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) da presidência da Comissão dos Direitos da Mulher. O grupo contesta o processo eleitoral que levou a parlamentar ao comando do colegiado, alegando supostas irregularidades regimentais e defendendo a renúncia da deputada trans da função.
O principal questionamento, segundo a deputada Carla Dikson (União-RN), diz respeito ao primeiro escrutínio, no qual Erika teria recebido 12 votos em branco. Para as oposicionistas, o resultado configuraria derrota, o que impediria a realização de um segundo turno — etapa que acabou garantindo a eleição da parlamentar do PSOL. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) afirmou que representações foram protocoladas no Conselho de Ética e que recursos foram apresentados contra o resultado.
Zanatta também criticou a condução dos trabalhos na comissão, acusando Erika de restringir o debate e barrar requerimentos da oposição sob a justificativa de conteúdo discriminatório. Segundo a parlamentar, há uma imposição ideológica no comando do colegiado, o que, em sua avaliação, comprometeria o ambiente democrático e o objetivo da comissão de discutir políticas públicas voltadas às mulheres.
Em resposta, Erika Hilton negou irregularidades e classificou as críticas como preconceituosas. Durante evento na Câmara, a deputada afirmou que a identidade de gênero não limita a capacidade de representação e destacou que a presença de mulheres trans em espaços de poder ainda enfrenta resistência. Para ela, o debate tem sido marcado por tentativas de deslegitimação e por discursos que, segundo disse, encobrem discriminação e dificultam o avanço da representatividade no Parlamento.











