Flávio surpreende e leva ligeira vantagem sobre Lula em debate marcado pelo confronto entre passado e futuro

24/10/2026 às 09:46:35
Resumo: Em debate equilibrado, com momentos difíceis para ambos os candidatos, Flávio, na avaliação do FF, destacou-se ligeiramente pela comunicação mais direta com o eleitor e por um discurso mais voltado ao futuro, enquanto Lula apostou na experiência e na defesa de seu legado político. O confronto não apresentou grandes desníveis entre os debatedores.

Em confronto equilibrado, sem massacre de nenhum dos lados, Flávio Bolsonaro, na avaliação do FF, conseguiu ligeira vantagem ao adotar uma comunicação mais direta com o eleitor, buscar diálogo com setores centrais da sociedade e transmitir uma perspectiva de futuro. Lula demonstrou experiência e capacidade de reação, mas manteve uma comunicação mais direcionada ao adversário e à defesa de seu legado político.

O último debate presidencial, realizado pela TV Globo nesta sexta-feira (23), foi marcado pelo equilíbrio entre Lula e Flávio Bolsonaro. Ambos tiveram bons momentos, cometeram erros e exploraram fragilidades do adversário. Lula defendeu as realizações de seus governos e demonstrou capacidade de reação. Flávio, por sua vez, abordou temas sensíveis, como segurança pública, custo de vida e endividamento das famílias, adotando uma postura mais moderada do que a tradicionalmente associada ao bolsonarismo.

Uma das principais diferenças em relação ao debate anterior foi a mudança de comportamento de Flávio. Depois de uma estratégia mais agressiva, associada à orientação de Pablo Marçal, o senador apareceu mais contido, disciplinado e preocupado em transmitir uma imagem presidencial, numa linha de maior moderação atribuída a Tarcísio de Freitas. Sua comunicação foi mais direta com o eleitor, procurando substituir provocações por argumentos e propostas. Lula, embora experiente e firme nas respostas, permaneceu mais concentrado no diálogo com o adversário e nas realizações de seus governos anteriores, encontrando dificuldades para apresentar uma narrativa de futuro tão clara quanto a do concorrente.

Outro aspecto importante foi a diferença entre Flávio e seu pai, Jair Bolsonaro. O ex-presidente consolidou uma liderança política expressiva, mas também ficou conhecido por declarações improvisadas e polêmicas que mobilizavam seus seguidores mais fiéis, enquanto provocavam resistência em outros segmentos. Com Jair preso e menos presente no debate público, Flávio procura preservar a identidade bolsonarista sem reproduzir integralmente o estilo paterno. Na leitura do FF, essa postura mais equilibrada representa uma tentativa de furar a própria bolha e alcançar setores centrais do eleitorado, menos identificados com a radicalização política.

O confronto também teve momentos difíceis para ambos. Lula pressionou Flávio sobre seu posicionamento anterior em relação à licença-maternidade e sua atuação como advogado de um policial acusado de envolvimento na morte de uma criança. O senador ainda precisou pedir desculpas por uma referência aos nove dedos do presidente. Flávio, por sua vez, cobrou Lula sobre segurança pública, custo de vida e endividamento das famílias, além de levantar questionamentos envolvendo Daniel Vorcaro. Os dois enfrentaram dificuldades em determinadas respostas: Lula recorreu frequentemente à defesa de seu legado, enquanto Flávio nem sempre detalhou como executaria suas propostas.

O debate, portanto, expôs duas estratégias distintas. Lula apostou na experiência, nas conquistas do passado e na força de sua trajetória política. Flávio buscou apresentar uma perspectiva de futuro, com uma comunicação mais direta e disciplinada, procurando alcançar eleitores além do bolsonarismo tradicional. Ambos tiveram acertos e fragilidades, sem qualquer massacre ou amplo desequilíbrio. Na avaliação do FF, Flávio apresentou ligeira vantagem pela evolução de sua postura e pela tentativa de ampliar seu diálogo com a sociedade. Lula mostrou a força de quem tem uma história para contar; Flávio procurou demonstrar que tem um futuro para apresentar. Essa foi a principal diferença entre as duas narrativas na reta final da disputa presidencial.