Disputa pelo Senado em aberto e o fator Edvaldo que muitos não estão analisando

Por Flavão Fraga
A nova rodada da pesquisa do Instituto CTAS escancara uma realidade que muitos, no meio político, ainda insistem em ignorar: a disputa pelo Senado em Sergipe segue completamente aberta. Ninguém disparou. Ninguém consolidou hegemonia. E, talvez mais importante, ninguém pode se dar ao luxo de subestimar adversários.
No cenário de primeiro voto, chama atenção a presença de Edvaldo Nogueira entre os nomes mais citados. Em meio a um quadro fragmentado, ele aparece competitivo, colado em figuras tradicionais e já testadas nas urnas, como Rogério Carvalho e André Moura.
Mas o ponto aqui não é apenas a posição numérica — é o que está por trás dela.
Edvaldo não costuma figurar nas chamadas “bolsas de apostas” da política sergipana — aquelas análises de bastidores, muitas vezes restritas a grupos tradicionais e seus círculos de influência. E talvez aí esteja o erro. Porque, enquanto parte da classe política observa prioritariamente as articulações de cúpula, Edvaldo segue construindo sua presença tanto nos bastidores quanto junto ao eleitor.
Nesse contexto, Edvaldo optou por uma candidatura independente ao Senado, sem vinculação direta a chapas, embora já tenha declarado apoio à reeleição do governador Fábio Mitidieri. O movimento remete ao que ocorreu em 2018, quando nomes tradicionais como Antônio Carlos Valadares, André Moura e Jackson Barreto se enfrentaram duramente, com troca de acusações e esvaziamento do segundo voto. No fim, nenhum deles venceu — as vagas ficaram com Rogério Carvalho e Alessandro Vieira, que avançaram por fora. Em um cenário como esse, sem favoritos claros e marcado pelo confronto direto, abre-se espaço para quem foge desse embate e não aparece nas “bolsas de apostas” como favorito.
Político experiente e habituado ao ambiente de gabinete, ele também demonstra, neste momento de pré-campanha, uma relevante capacidade de mobilização popular quando vai às ruas. E isso tem se tornado cada vez mais evidente.
Um episódio simbólico ocorreu no último fim de semana, durante um evento que reuniu corredores entre São Cristóvão e Aracaju. Ao participar da tradicional Corrida Cidade de Aracaju, Edvaldo foi ovacionado espontaneamente pela população, caminhando de forma simples, apenas ao lado da esposa e sem a presença de lideranças políticas — um indicativo claro de carisma e reconhecimento popular.
Sem um grande grupo político estruturado, ele construiu algo que, em eleição majoritária, pesa — e muito: lembrança popular. E não é qualquer lembrança. Trata-se de um gestor que comandou Aracaju por quatro mandatos, com avaliações consistentemente positivas e uma marca administrativa reconhecida, especialmente na Grande Aracaju.
Isso não se apaga com facilidade.
Enquanto isso, o cenário geral segue embaralhado. Nomes como Alessandro Vieira, Rodrigo Valadares e Eduardo Amorim também aparecem, todos dentro de uma faixa que indica equilíbrio e ausência de uma liderança isolada.
O recado da pesquisa é claro: a eleição para o Senado, hoje, é um jogo em aberto.
E, nesse tabuleiro, ignorar Edvaldo Nogueira pode ser um erro estratégico. Porque, ao equilibrar articulação política e presença popular, ele vai consolidando um ativo silencioso — e potencialmente decisivo — em uma disputa na qual ninguém, até aqui, conseguiu se impor.











