Com o registro de candidatura definido pelo TRE, Valmir perde o escudo da “perseguição” e terá o desafio de comprovar que seu discurso não é fantasia e tem solidez

| Por Flavão Fraga
A decisão unânime do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe que deferiu, na última sexta-feira, o registro da candidatura de Valmir de Francisquinho representa uma importante vitória jurídica e política para seu projeto de disputar o Governo do Estado. Depois de liderar a votação em 2022, ter os votos anulados e ficar fora do segundo turno, Valmir atravessou os últimos anos sustentando que havia sido vítima do sistema. Essa narrativa encontrou respaldo em uma parcela expressiva da população, mas, com a candidatura agora confirmada pelo TRE-SE, o personagem de “perseguido” perde a razão de existir. Sem a cortina de fumaça da discussão sobre sua elegibilidade, ele terá de tratar com mais objetividade dos seus propósitos administrativos para Sergipe, comprovar os problemas que aponta no governo Mitidieri e explicar de que maneira — e com quais recursos — pretende executar aquilo que promete.
Valmir terá o desafio de demonstrar o que fez de tão extraordinário na cidade serrana e por que sua experiência administrativa seria suficiente para substituir o atual governador. Do outro lado, Fábio entra no debate apresentando como trunfos os resultados de sua gestão, a exemplo do crescimento na geração de empregos, da redução da fila de espera por cirurgias eletivas por meio do Opera Sergipe e do avanço das obras do Hospital do Câncer, empreendimento que atravessou diferentes governos e ganhou maior ritmo durante sua administração. Livre de seu principal obstáculo jurídico, Valmir precisará abandonar definitivamente a posição de vítima e assumir plenamente o papel de candidato a governador, concentrando seu discurso no debate de ideias, propostas e realizações.
O eleitor passará a cobrar mais do que críticas, frases de efeito, ataques ao governo ou alegações de perseguição que já não correspondem à realidade jurídica atual. Para cada problema apontado na saúde, na educação, na infraestrutura ou na economia, o “Pato” precisará apresentar uma solução concreta, explicar como pretende executá-la e demonstrar de onde sairão os recursos.
Também chegou a hora de mostrar, com números e resultados, o que suas gestões realizaram em Itabaiana. Valmir deverá apresentar os avanços promovidos diretamente pelo poder público e separar suas entregas do crescimento impulsionado pela vocação empreendedora do município e pelos investimentos privados. Praças, pavimentação, expansão urbana e valorização imobiliária são importantes, mas administrar Sergipe exige uma visão ampla, capaz de alcançar as diferentes realidades dos 75 municípios.
A mesma cobrança recairá sobre Fábio Mitidieri. Como governador, ele terá de defender seu mandato, apresentar suas entregas e demonstrar em quais áreas conseguiu avançar além da administração de Belivaldo Chagas, seu antigo aliado e atual apoiador de Valmir. A Justiça abriu o caminho para o “Pato” entrar na disputa. Agora começa o julgamento que realmente importa na eleição: o das propostas, das realizações e da capacidade de oferecer respostas aos problemas de Sergipe. Valmir terá de provar que é maior do que o discurso da perseguição, enquanto Fábio precisará convencer a população de que realizou um governo merecedor de continuidade.












