Chanceler alerta STF sobre risco de ingerência dos EUA em visita de assessor a Bolsonaro

13/03/2026 às 19:26:12
Foto: Carlos Cruz/MRE

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que a visita do assessor do governo de Donald Trump, o diplomata Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro pode representar risco de ingerência estrangeira nos assuntos internos do Brasil. O posicionamento foi enviado ao STF em ofício após a Corte solicitar esclarecimentos ao Itamaraty sobre a agenda do representante norte-americano durante sua passagem pelo país. A preocupação ocorre porque o encontro envolveria um integrante do governo dos Estados Unidos e um ex-presidente brasileiro em ano eleitoral. 

O pedido de esclarecimentos foi feito por Alexandre de Moraes depois que a defesa de Bolsonaro solicitou autorização para que Beattie visitasse o ex-presidente na prisão, em Brasília. A Corte buscou confirmar se havia agenda diplomática oficial prevista entre o assessor norte-americano e o Ministério das Relações Exteriores durante a viagem ao Brasil. 

Em resposta ao STF, Mauro Vieira afirmou que não havia, até então, qualquer agenda diplomática previamente acordada entre o governo brasileiro e o assessor do Departamento de Estado dos EUA. Segundo o chanceler, o pedido de visita ao ex-presidente também não estava incluído nos objetivos oficialmente comunicados pelos norte-americanos ao Itamaraty. 

No documento encaminhado ao tribunal, o ministro destacou a possibilidade de interferência política externa no país. “A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-Presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou Mauro Vieira no ofício enviado ao STF. 

De acordo com o Itamaraty, a viagem de Darren Beattie foi comunicada por meio de nota diplomática em 10 de março. A previsão é que o assessor chegue a Brasília no dia 16, siga para São Paulo no dia seguinte e retorne aos Estados Unidos no dia 18. O visto de entrada foi concedido com base na informação de que ele participaria de eventos e reuniões voltados à promoção das relações bilaterais entre os dois países. 

O episódio ocorre em meio a um contexto de tensão política e diplomática envolvendo Brasil e Estados Unidos. Integrantes do governo brasileiro avaliam que a visita e a possível reunião com Bolsonaro poderiam ter impacto no cenário político interno, especialmente diante da proximidade do período eleitoral e das articulações políticas que envolvem aliados do ex-presidente no exterior. 

Fonte: CNN Brasil